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“Avanço” histórico para o feminismo, menor número de ministras desde 2023. o Lula que “prioriza” as mulheres

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Enquanto o presidente Luiz Inácio Lula da Silva intensifica o discurso de enfrentamento ao feminicídio e busca atrair o eleitorado feminino, que representa 52,5% do eleitorado brasileiro, o governo federal registra uma redução clara na presença de mulheres no primeiro escalão. Com as mudanças ministeriais anunciadas nesta semana, motivadas pela desincompatibilização para as eleições de 2026, o número de ministras caiu de 10 para apenas 8, em um total de 38 pastas. Agora, são 30 homens e 8 mulheres comandando os ministérios, o menor patamar desde o início do terceiro mandato de Lula, que começou com 11 ministras em 2023.

Saíram pastas importantes ocupadas por mulheres como Gleisi Hoffmann (Relações Institucionais), Simone Tebet (Planejamento e Orçamento), Marina Silva (Meio Ambiente), Macaé Evaristo (Direitos Humanos), Anielle Franco (Igualdade Racial) e Sônia Guajajara (Povos Indígenas). Na maioria dos casos, foram substituídas por homens.

Essa redução ocorre exatamente no momento em que o Planalto tenta se aproximar das mulheres com bandeiras como o combate à violência de gênero. Pesquisas indicam que quase metade das eleitoras ainda pode mudar de voto em 2026, e o adversário Flávio Bolsonaro já acena para esse segmento com promessas de proteção sem hipocrisia.

A contradição é evidente: o governo que tanto fala em paridade de gênero e empoderamento feminino reduz a participação real de mulheres nos cargos de maior poder e decisão. Ter poucas ministras não é apenas uma questão numérica, é um sinal de que a presença feminina no núcleo duro do poder continua sendo tratada como algo acessório, e não estruturante.

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Mesmo com avanços em relação aos primeiros mandatos de Lula (quando começou com apenas 4 mulheres), o atual governo ainda está longe da paridade. Deputadas aliadas, como Jack Rocha, já reconheceram que a presença feminina não pode ser episódica e precisa ser mais robusta.
Enquanto o discurso oficial celebra o Dia Internacional da Mulher com pompa e prioriza pautas femininas no palanque, a Esplanada dos Ministérios fica mais masculina. Essa discrepância entre o que se fala e o que se pratica revela uma estratégia eleitoral oportunista: usar a bandeira das mulheres para conquistar votos, sem dar a elas o devido espaço no centro das decisões.

A política brasileira ainda precisa evoluir muito para que a igualdade de gênero deixe de ser retórica e se torne realidade nos lugares onde o poder realmente é exercido. No caso do governo atual, o recado é claro: palavras bonitas sobre empoderamento não substituem a presença efetiva de mulheres nos ministérios.

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