A política goiana vive um momento de incertezas após o anúncio do senador Wilder Morais, que revelou ter recebido o aval do ex-presidente Jair Bolsonaro para disputar o governo de Goiás pelo PL. A declaração gerou um novo cenário para as eleições de 2026, mas o governador Ronaldo Caiado ainda mantém aberta a possibilidade de uma aliança com o partido bolsonarista, aguardando uma posição definitiva do senador Flávio Bolsonaro, pré-candidato à presidência da República.
A tensão sobre a aliança e as expectativas de Caiado
Durante uma entrevista à imprensa, realizada na última quarta-feira (18), Caiado demonstrou cautela e pragmatismo em relação à questão. “Estou aguardando o tempo em que será dada a resposta. O senador Flávio ficou de dar uma resposta quando voltar ao Brasil”, comentou, deixando claro que não tomaria decisões precipitadas sem uma definição do principal nome do PL.
Embora a aproximação de Wilder Morais com Bolsonaro tenha gerado tensão no cenário político, Caiado preferiu não entrar em detalhes sobre a situação interna do partido. Quando questionado sobre a afirmação de Wilder de que teria sido liberado por Bolsonaro para se lançar como pré-candidato, o governador foi direto: “Não cabe a mim comentar problema de outro partido”.
Wilder Morais e a confirmação de Bolsonaro
O anúncio de Wilder Morais, feito após um encontro com Jair Bolsonaro em Brasília no sábado (14), foi um marco importante na disputa política de Goiás. O senador afirmou ter recebido do ex-presidente a confirmação de que deveria seguir em frente com sua candidatura ao governo de Goiás. Além disso, Wilder deixou claro que seu apoio a Flávio Bolsonaro, pré-candidato à presidência, é incondicional, prometendo fortalecer a campanha do filho de Bolsonaro, caso sua candidatura seja consolidada.
Esse movimento, no entanto, pode comprometer as negociações que estavam em andamento para uma aliança entre o PL e o MDB de Daniel Vilela em Goiás, a qual incluiria o nome de Gustavo Gayer para o Senado, ao lado de Gracinha Caiado. A disputa interna entre os grupos políticos tornou-se mais acirrada com o surgimento da candidatura de Wilder Morais, e isso gerou tensão dentro da base governista.
O papel de Flávio Bolsonaro e os próximos passos
Enquanto a situação se desenrola, a figura de Flávio Bolsonaro continua central. A falta de uma manifestação clara do pré-candidato à presidência sobre a aliança em Goiás tem gerado especulações. Integrantes da base governista acreditam que Flávio, ao manter o acordo inicial com o governo de Caiado, pode garantir a unidade e a força do PL para as eleições. “O acordo com o PL já estava feito”, disse um interlocutor próximo à base palaciana, deixando nas entrelinhas a expectativa de que a aliança será mantida.
Porém, a divisão dentro do PL não se limita apenas à disputa entre Wilder e Caiado. Gustavo Gayer, em resposta ao anúncio de Wilder Morais, levantou questões sobre a veracidade do apoio de Bolsonaro, apontando que “nada é pior do que mentir sobre ter o apoio de uma pessoa que está presa e não pode falar a verdade”. Gayer criticou o fato de o político mencionado ter sido eleito, segundo ele, apenas com o apoio de Bolsonaro e alertou sobre os impactos que essa falta de unidade poderia ter na eleição de Flávio Bolsonaro e na formação de uma maioria no Senado.
Com o cenário ainda indefinido, a política em Goiás segue com um futuro incerto, aguardando uma definição crucial de Flávio Bolsonaro para que se resolvam as questões internas no PL e a aliança que poderá influenciar decisivamente o processo eleitoral no estado.