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Débora Rodrigues dos Santos, conhecida nacionalmente como “Débora do batom”, quebrou o silêncio em sua primeira entrevista após sair do regime fechado e relatou condições que descreveu como desumanas durante o período em que esteve presa. Condenada a 14 anos de prisão pelos atos de 8 de janeiro de 2023, a cabeleireira de 40 anos afirmou que, ao chegar à unidade prisional, recebeu um kit de higiene pessoal encharcado de urina. Segundo seu relato, o kit estava “todo cheio de urina”, o que a impediu de usá-lo para se cobrir à noite ou para higiene pessoal
“Lembro que o kit de higiene que me entregaram tava todo cheio de urina e eu não conseguia me cobrir com ele à noite porque estava todo molhado”, disse Débora na entrevista concedida ao jornalista Cristyan Costa e amplamente divulgada em perfis de Instagram e veículos como Revista Oeste.
Ela também relatou frio intenso, isolamento da família nos primeiros dias e humilhações constantes por parte de agentes penitenciários. Débora descreveu o tratamento como uma forma de “humilhação gratuita”. Contexto do caso
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Débora ganhou notoriedade ao ser filmada e fotografada escrevendo a frase “Perdeu, mané” com batom vermelho na estátua “A Justiça”, instalada em frente ao Supremo Tribunal Federal (STF), durante os protestos de 8 de janeiro de 2023 em Brasília. Preso em março de 2023, ela ficou mais de dois anos em regime fechado. Em abril de 2025, a Primeira Turma do STF a condenou a 14 anos de prisão pelos crimes de:
Tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de Direito Golpe de Estado Deterioração de patrimônio tombado Associação criminosa armada Dano qualificado
A pena foi considerada alta por críticos, que argumentam que o principal ato dela foi a pichação simbólica. A defesa sempre sustentou que Débora agiu “no calor do momento”, sem planejar invasões ou depredações maiores. Em março de 2025, o ministro Alexandre de Moraes concedeu prisão domiciliar a ela, considerando que é mãe de duas crianças menores de idade. Em setembro de 2025, com o trânsito em julgado, a pena começou a ser cumprida em casa, com tornozeleira eletrônica e restrições (proibição de redes sociais, entrevistas sem autorização e visitas não autorizadas).
Em novembro de 2025, Débora precisou ser levada ao hospital por uma infecção urinária.
Repercussão O relato de Débora sobre o kit de higiene gerou forte comoção em redes sociais e entre apoiadores da anistia aos condenados do 8 de janeiro. Muitos classificaram o episódio como prova de tratamento desumano no sistema prisional brasileiro. Até o momento, não há investigação oficial ou laudo independente que confirme ou refute o relato específico do kit encharcado de urina. Trata-se de um depoimento pessoal da condenada. Débora se tornou símbolo para quem critica a forma como os casos do 8 de janeiro foram julgados, especialmente pela duração da prisão preventiva e pela extensão da pena aplicada. A história continua gerando debate sobre condições carcerárias, proporcionalidade das penas e o direito de presos a tratamento digno, independentemente do crime pelo qual foram condenados.