9 Estados brasileiros têm mais famílias no Bolsa Família do que trabalhadores com carteira assinadaBrasília, 3 de abril de 2026 :
Apesar da redução observada em 2025, nove estados brasileiros ainda registram, em fevereiro de 2026, um número maior de famílias beneficiárias do Bolsa Família do que de trabalhadores com emprego formal registrado (carteira assinada). Todos os estados nessa situação ficam nas regiões Norte e Nordeste.Os estados são: Maranhão, Pará, Piauí, Bahia, Paraíba, Amazonas, Alagoas, Acre e Amapá.Em 2023, eram 13 unidades da federação nessa condição. O número caiu para 12 em 2025 e se estabilizou em 9 neste início de 2026. Sergipe, Pernambuco e Ceará saíram da lista em comparação com fevereiro de 2025, segundo cruzamento de dados realizado pelo Poder360.Números nacionaisNo Brasil como um todo, existem 48,8 milhões de pessoas com emprego formal (carteira assinada) e 18,8 milhões de famílias beneficiárias do Bolsa Família.
Isso equivale a uma média nacional de 38,6 beneficiários do programa para cada 100 trabalhadores formais — patamar estável desde agosto de 2025, após queda significativa ao longo do ano passado.O que explica a redução da dependênciaA diminuição da dependência em 2025 foi impulsionada por dois fatores principais:Forte expansão do emprego formal, que bateu recordes em várias regiões;
Realização de “pente-fino” nos cadastros do programa, que resultou na exclusão de cerca de 2,1 milhões de famílias ao longo de 2025.
Mesmo assim, a estabilidade observada em 2026 indica que o avanço da carteira assinada perdeu força em relação ao Bolsa Família nos últimos meses.Concentração regionalA situação de maior dependência do programa social em relação ao mercado de trabalho formal segue concentrada no Norte e Nordeste do país. Estados como Maranhão historicamente lideram esse ranking de dependência, tanto em números absolutos quanto proporcionais. No extremo oposto, estados do Sul e Sudeste, como São Paulo e Santa Catarina, apresentam volume muito maior de empregos formais em relação aos beneficiários do Bolsa Família.MetodologiaOs dados foram obtidos pelo cruzamento de duas fontes oficiais:Número de famílias beneficiárias do Bolsa Família → Ministério do Desenvolvimento Social (dados.gov.br);
Empregos com carteira assinada → Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), do Ministério do Trabalho e Emprego.
A comparação considera apenas o emprego privado formal (exclui servidores públicos).Contexto mais amploO Bolsa Família é o principal programa de transferência de renda do país e atende milhões de famílias em situação de vulnerabilidade. Críticos apontam que, em algumas regiões, o volume de benefícios pode desestimular a busca por emprego formal ou criar dependência de longo prazo. Defensores argumentam que o programa combate a fome e a pobreza extrema, funcionando como rede de proteção essencial, especialmente em áreas com menor dinamismo econômico.A discussão sobre o equilíbrio entre assistência social e geração de empregos formais permanece central no debate econômico brasileiro.