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Os nomes de ao menos quatro deputados federais do Pará aparecem em um documento apreendido pela Polícia Federal durante operação realizada nesta segunda-feira, em Belém, que resultou na apreensão de R$ 500 mil em dinheiro vivo e na prisão em flagrante de três pessoas — entre elas, um servidor da Casa Civil do governo paraense.
Ao lado dos nomes dos parlamentares, todos ligados ao governador Helder Barbalho, constam valores que variam de R$ 100 mil a R$ 538 mil. Não há, no entanto, indicação a que tais quantias se referem.
Os deputados citados no material apreendido são: Raimundo Santos (PSD), Henderson Pinto (MDB), Keniston Braga (MDB) e Olival Marques (MDB). A maior quantia aparece vinculada a Raimundo Santos, com R$ 538 mil. Para Henderson Pinto, o valor indicado é de R$ 485 mil, enquanto Olival Marques e Keniston Braga surgem ao lado de montantes da ordem de R$ 139 mil e R$ 100 mil, respectivamente.
O documento, escrito à mão, também menciona órgãos como a Setur (Secretaria de Turismo), e municípios como Bagre, Curralinho, Bujaru e Muaná, todos associados a valores.
Apesar de citados no rascunho, os deputados não constam no relatório da PF ao qual a coluna teve acesso. Até o momento, não há informações se eles são investigados.
À coluna, Keniston afirmou que “ficou surpreso com a notícia de que seu nome teria aparecido em uma ‘planilha de valores’ apreendida pela PF” e disse que “desconhece o fato e muito menos os presos”. Ele acrescentou ainda que vai solicitar esclarecimentos à PF para que seja feita uma rigorosa investigação a fim de esclarecer como o seu nome foi parar nessa tal planilha.
Já Raimundo Santos disse que achou “muito estranha a citação da existência de uma ‘planilha’ com referências específicas, nominais, a deputados que, conforme noticiaram, teriam feito emendas para eventos no Pará”. Disse ainda que “sequer apresentei qualquer emenda parlamentar para eventos culturais em nosso Estado”.
A coluna também questionou Olival e Henderson, mas não obteve retorno até esta publicação. O espaço segue aberto.
Na operação, a PF prendeu em flagrante o empresário Felipe Linhares Paes, Ronaldy Rian Moreira Gomes e Michel Silva Ribeiro após identificar um saque de R$ 500 mil em espécie em uma agência do Banco do Brasil. Ronaldy, responsável pela retirada, seguiu até um carro blindado onde Felipe o aguardava. Durante a abordagem, o empresário tentou fugir e apontou uma arma contra os agentes, mas foi contido após disparo de advertência.
Segundo a investigação, Ronaldy confessou atuar como “laranja”, recebendo cerca de R$ 3 mil mensais para figurar como sócio de uma empresa controlada por Felipe. A PF aponta indícios de um esquema estruturado de ocultação de patrimônio e lavagem de dinheiro, com uso de terceiros para movimentação de recursos. A empresa investigada mantém contratos que somam cerca de R$ 3,8 milhões com a Fundação Cultural do Pará, firmados por inexigibilidade de licitação.
A presença de Michel Silva Ribeiro, servidor da Casa Civil do Estado, no veículo levantou suspeitas de possível envolvimento com agentes públicos. Para a PF, há indícios de crimes como lavagem de dinheiro, associação criminosa, corrupção ativa e passiva, além de resistência à prisão e porte ilegal de arma. A investigação também aponta possível ligação dos valores a fontes ilícitas, incluindo pessoas investigadas por tráfico de drogas.
Fonte: Oglobo