O senador Flávio Bolsonaro, do Partido Liberal do Rio de Janeiro, tem intensificado as articulações para a eleição presidencial de 2026, com ênfase na construção de palanques estaduais em regiões estratégicas do país. De acordo com levantamentos recentes, o PL planeja lançar candidaturas próprias ao governo em até 12 estados, o que representa um número três vezes maior do que o registrado na campanha de Jair Bolsonaro em 2022, quando o partido contou com apenas quatro palanques próprios.
A estratégia inclui foco especial em São Paulo, Minas Gerais e Rio de Janeiro, os três maiores colégios eleitorais, que juntos concentram cerca de 40% do eleitorado nacional. Somadas as alianças com partidos aliados, a pré-campanha de Flávio Bolsonaro estima chegar a 24 palanques em todo o território brasileiro. O senador tem centralizado as negociações, visitando estados e definindo prioridades para candidaturas a governador e senador que possam fortalecer sua presença local durante a campanha.
No Sul e no Centro-Oeste, o campo bolsonarista já demonstra estrutura consolidada, com apoio de governadores aliados como Jorginho Mello, em Santa Catarina. Em São Paulo, há sinalização de apoio do governador Tarcísio de Freitas, do Republicanos. Em Minas Gerais, as conversas ainda avançam de forma mais cautelosa, com o partido avaliando nomes para compor chapas competitivas. Flávio também tem buscado ampliar sua presença no Nordeste, região historicamente favorável ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva, com viagens recentes a estados como Rio Grande do Norte e Paraíba.
Do lado do governo federal, Lula também dedica esforços à montagem de palanques, especialmente no Sudeste, onde enfrenta maiores desafios. O petista mantém base sólida no Nordeste, com nove governadores alinhados, mas precisa reforçar alianças em estados como São Paulo, onde o nome de Fernando Haddad é cotado para disputar o governo, e Minas Gerais, onde o cenário permanece aberto. A disputa pelos principais colégios eleitorais, que reúnem mais de 41% dos eleitores, deve definir boa parte do equilíbrio de forças na corrida presidencial.
Pesquisas eleitorais divulgadas nos últimos meses mostram um quadro de disputa acirrada. Em simulações de segundo turno, Flávio Bolsonaro e Lula aparecem em empate técnico na maioria dos levantamentos, com oscilações pequenas dentro da margem de erro. Alguns institutos registram leve vantagem numérica para o senador, enquanto outros apontam leve liderança para o presidente. No primeiro turno, Lula ainda costuma aparecer numericamente à frente, mas o cenário é volátil, influenciado por fatores como a economia, o desempenho dos governos estaduais e eventos imprevisíveis ao longo do ano.
A matéria publicada pela Revista Oeste com o título que sugere que Flávio impõe uma derrota a Lula reflete uma interpretação otimista do campo da direita sobre o avanço nas articulações regionais. No entanto, a sete meses das eleições, nenhum resultado está definido. A construção de palanques é uma etapa importante, mas a vitória final dependerá de múltiplas variáveis, incluindo a capacidade de cada lado de mobilizar eleitores nos estados decisivos e de lidar com a alta rejeição que ambos os principais nomes ainda carregam em parcelas do eleitorado.
Analistas políticos destacam que o sucesso das campanhas nacionais em 2026 passará diretamente pela força dos palanques estaduais. Enquanto Flávio busca ampliar a estrutura além do que seu pai teve em 2022, Lula trabalha para evitar perdas no Sudeste e manter a coesão no Nordeste. O jogo segue aberto, com negociações intensas em curso e definições que devem se acelerar nos próximos meses.