Nesta terça-feira (24/3), a Rússia suspendeu por um mês as exportações de nitrato de amônio, decisão que preocupa o agronegócio global e pode afetar diretamente o Brasil, altamente dependente do insumo.
Por que a Rússia interrompeu exportações de nitrato de amônio?
Anuncios
A suspensão vale até 21 de abril e foi adotada para garantir o abastecimento durante a temporada de plantio da primavera. O país responde por até 40% do comércio global desse fertilizante estratégico.
O governo russo também bloqueou novas licenças de exportação, mantendo apenas contratos oficiais. A medida reforça a política de priorizar o mercado interno em momentos de alta demanda agrícola.
Leia Também
Como a crise global e conflitos agravam cenário de fertilizantes?
O mercado já enfrenta pressão com o fechamento do Estreito de Ormuz, rota por onde passa cerca de 24% da amônia mundial, insumo essencial na produção do nitrato de amônio.
Além disso, ataques a uma importante fábrica russa reduziram a oferta global. A unidade, responsável por cerca de 11% da produção do país, só deve normalizar as operações em maio.
Quais os impactos da decisão no Brasil e no agronegócio?
O Brasil é um dos principais compradores de fertilizantes russos e pode sentir efeitos imediatos nos preços e na oferta. Em 2025, 25,9% das importações vieram da Rússia.
Culturas como soja, milho, café e cana-de-açúcar dependem diretamente desses insumos. A redução temporária pode elevar custos e pressionar a produtividade no campo.
Por que o Brasil depende tanto de fertilizantes importados?
A dependência brasileira está ligada à falta de matérias-primas e aos custos elevados de produção interna. O país importa a maior parte dos nutrientes essenciais usados na agricultura. Entre os principais fatores que explicam essa dependência, destacam-se:
Nitrogênio: cerca de 95% é importado
Fosfato: aproximadamente 75% vem do exterior
Potássio: cerca de 91% depende de outros países
Além disso, o solo brasileiro exige adubação frequente, o que aumenta ainda mais a demanda por fertilizantes.
Qual o plano nacional busca reduzir a vulnerabilidade externa?
Para diminuir essa dependência, o governo lançou o Plano Nacional de Fertilizantes, com meta de produzir até 50% da demanda interna até 2050.
O plano prevê investimentos superiores a R$ 25 bilhões até 2030, mas especialistas avaliam que os efeitos serão graduais e não resolvem o problema no curto prazo.
Com informações de TERRA BRASIL NOTÍCIAS