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O economista e escritor Eduardo Gianetti se disse “estarrecido” com a proximidade dos ministros Dias Toffoli e Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), com Daniel Vorcaro, pivô do escândalo do Banco Master e atualmente preso em Brasília.
Ele se mostrou contrário ao fato de, no STF, Toffoli ter aceito relatoria do caso mesmo sendo sócio de empresa beneficiada. Também considerou que a mulher de Moraes recebeu pagamentos sem explicação da entidade financeira.
“São dois casos da maior gravidade”, reforçou, em entrevista ao jornal O Estado de S. Paulo. De acordo com o economista, as duas situações justificam debate sobre impeachment no Supremo. “Eu acho, na minha modesta opinião, que a questão do impeachment de ministro do Supremo é pertinente nesses dois casos.”
O Banco Central (BC) segurou a venda do Master para o BRB, mesmo sob pressão intensa, destacou Gianetti, que é membro da Academia Brasileira de Letras. Segundo ele, alguns diretores, incluindo Paulo Sérgio Neves de Souza, ex-diretor de Fiscalização, teriam recebido mesadas de Vorcaro para facilitar o banco privado, o que em parte manchou a imagem do BC.
“No balanço geral, acredito que o BC cumpriu seu papel, porque o esquema estava montado para jogar para o contribuinte o rombo produzido por essa gestão fraudulenta e temerária.”
Rombo do Master
O rombo de R$ 40 bilhões não é real, segundo ele. Parte foi desviada, parte perdeu valor em ativos. “É inimaginável uma perda de R$ 40 bilhões”, destacou. “Não é esse o volume real, porque existe uma contrapartida que está no banco e pode e deve ser usada para o ressarcimento dos aplicadores.”
Manter a remuneração prometida depois da intervenção é errado, acredita. O correto seria limitar ao CDI. Entre as principais distorções, destaca o economista, o Master explorou falhas do Fundo Garantidor, criou créditos inexistentes e buscou proteção nos Três Poderes. “E a grande novidade, e muito triste para todos nós, é saber que um corpo técnico de excelência, como é o corpo de carreira do BC, tinha uma maçã podre.”
Segundo Gianetti, que defendeu as iniciativas de Moraes em relação aos atos de 8 de janeiro, a oposição vai misturar estes processos com os escândalos do banco. Por isso, ele defende códigos de ética rigorosos para ministros do STF. Ele acredita que, se existirem regras claras sobre conflitos de interesse, recusas de relatoria e transparência de vínculos, decisões sensíveis seriam menos suscetíveis a questionamentos de parcialidade.