Produzido na fábrica da GM em Gravataí (RS), o Onix versão de entrada (1.0 MT) sai da linha de montagem com preço sugerido oficial no Brasil a partir de R$ 101.790 (conforme tabela Chevrolet Brasil atualizada em 2026, após reajustes recentes). No Paraguai, o mesmo modelo 0 km muitas vezes em versões equivalentes ou até mais equipadas aparece em ofertas oficiais da Chevrolet local e em revendas de Ciudad del Este por valores na faixa de US$ 11.990 a US$ 17.990, o que, pela cotação média recente (cerca de R$ 5,17–5,50 por dólar), equivale a R$ 61.990 ou algo próximo. Diferença? Quase R$ 40 mil ou mais para o consumidor final.
E o que justifica isso? Principalmente o custo Brasil tributário, que o atual governo federal e os estaduais se recusam a reduzir de forma efetiva. A Anfavea (entidade que representa as montadoras) estima que os impostos sobre veículos no Brasil cheguem a 44% (ou até mais) do valor final do carro, somando:
- IPI (federal, progressivo por cilindrada e potência),
- ICMS (estadual, que varia de 12% a 18% ou mais, dependendo do estado),
- PIS/COFINS,
- e outros encargos cumulativos.
No Paraguai, a tributação é muito mais leve: basicamente um IVA de cerca de 10%, sem equivalentes pesados ao IPI ou ICMS cumulativo, e sem IPVA anual (apenas uma taxa municipal baixa, na casa de R$ 300–500 por ano, independentemente do valor do veículo). Resultado: o carro fabricado aqui sai mais barato para o paraguaio do que para o brasileiro que sustenta a fábrica com seu trabalho e impostos.
Isso não é acidente. É política deliberada. O governo Lula (e os anteriores) mantém um sistema que arrecada fortunas em impostos sobre consumo, mas não devolve em forma de infraestrutura decente, redução de burocracia ou alívio fiscal real para a classe média e baixa que sonha com mobilidade. Em vez disso, vemos:
- Reforma tributária que, até agora (março 2026), não resolveu o peso sobre o setor automotivo e ainda gera incertezas para as montadoras (como alertou o presidente da Anfavea recentemente).
- Incentivos temporários que vêm e vão, mas nada de corte estrutural na carga.
- Exportações incentivadas (via Mercosul), onde o carro brasileiro vira “barato” lá fora, enquanto aqui o consumidor paga a conta cheia.
O brasileiro, que já enfrenta juros altos, inflação persistente e salários estagnados, acaba pagando quase 40% a mais por um produto nacional. É como se o governo dissesse: “Produza aqui, pague impostos aqui, mas o benefício vai para o vizinho”.
Até quando isso vai durar? Enquanto o governo priorizar arrecadação cega em vez de competitividade e poder de compra da população, casos como o do Onix continuarão viralizando não como curiosidade, mas como prova de um custo Brasil que esmaga o sonho de milhões. O Paraguai não é paraíso fiscal; é só um país que não sufoca seu povo com impostos absurdos sobre o básico. O Brasil poderia ser assim… se quisesse. Mas, pelo visto, não quer.