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Mensagens obtidas pela Polícia Federal (PF) mostram que o banqueiro Daniel Vorcaro relatou que sua reunião com o presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos), no dia 8 de maio de 2025 durou “até quase 3h da manhã”, porque o líder da Casa Legislativa queria saber “de tudo no detalhe”. O texto indica ainda que Motta foi até a mansão do empresário, localizada no Lago Sul, em Brasília.
– Hugo saiu daqui quase 3h da manhã. Queria saber de tudo no detalhe – escreveu Vorcaro à até então namorada, Martha Graeff, às 8h54.
Segundo informações do colunista Paulo Cappeli, do portal Metrópoles, as mensagens ainda apontam outras reuniões do banqueiro com Motta, incluindo uma no dia 8 de março.
– Oi. Estou pousando em Brasília. Encontrei com Hugo no aero, será mais tarde um pouco o encontro. Vou esperar em casa – disse ele a Graeff.
– Que horas, amor? Vou orar aqui. Fizemos uma oração para você agora. Eu e Chanda. Só falei que era uma reunião. Nada de detalhes – respondeu ela, indicando que o encontro era importante.
Vorcaro também citou ter estado com Motta dias depois, no dia 20 de março, junto do senador Ciro Nogueira (PP) e o ministro Alexandre de Moraes (STF).
– Acabou chegando Hugo e Ciro aqui para falarem com Alexandre. Não deve demorar. Mas, se você for dormir, eu saio e te chamo – declarou o banqueiro a Graeff.
Ele ainda mencionou uma reunião e outros empresários na “residência oficial”, em 26 de fevereiro do mesmo ano.
Contatado, Motta não quis se pronunciar sobre o que foi falado nos encontros com o banqueiro.
ENTENDA
Vorcaro está preso acusado de liderar um esquema de fraude financeira ligado ao Banco Master. As autoridades veem indícios de crimes como organização criminosa, corrupção, ameaça, lavagem de dinheiro e invasão de dispositivos informáticos.
Segundo as investigações, o esquema consistia na criação e comercialização de títulos de crédito sem lastro – ou seja, ativos e dívidas que não tinham garantia real ou sequer existiam – usados para inflar artificialmente o patrimônio do Banco Master. O objetivo era fazer a instituição parecer mais sólida e lucrativa do que realmente era, esconder fragilidades financeiras e continuar captando dinheiro no mercado.
Com esse patrimônio inflado, o banco passou a oferecer investimentos com rendimentos até 40% superiores aos praticados no mercado, o que atraía investidores em busca de retornos mais altos. Segundo as investigações, porém, o banco não tinha base financeira real para sustentar esses pagamentos. O esquema começou a ruir quando o Banco Central do Brasil identificou inconsistências nos balanços da instituição e determinou a liquidação extrajudicial do Master.