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O governo brasileiro negou os pedidos de visto de dois integrantes do Departamento de Estado dos Estados Unidos que pretendiam viajar a Brasília nas próximas semanas, em meio ao aumento da tensão diplomática entre os dois países às vésperas das eleições presidenciais de outubro.
A informação foi confirmada pela CNN Brasil após a divulgação de uma reportagem do jornal norte-americano The Washington Post, que revelou a intenção da administração do presidente Donald Trump de enviar representantes ao Brasil.
Segundo a publicação, os pedidos de visto foram negados pelo Ministério das Relações Exteriores na sexta-feira (24), impedindo a entrada do secretário-assistente Riley M. Barnes e do subsecretário-assistente Samuel Samson, ambos ligados ao Departamento de Estado e subordinados ao secretário Marco Rubio.
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De acordo com o Washington Post, os dois integrantes planejavam viajar a Brasília antes do primeiro turno das eleições. O Departamento de Estado confirmou ao jornal que a viagem estava prevista, mas não informou oficialmente qual seria sua finalidade.
A reportagem do jornal americano afirma que a missão teria como objetivo discutir questões relacionadas ao sistema eleitoral brasileiro. Já fontes do governo brasileiro, ouvidas reservadamente por veículos de imprensa, interpretaram a iniciativa como uma possível tentativa de interferência no debate sobre a confiabilidade das urnas eletrônicas.
Nos bastidores, ministros do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e do Supremo Tribunal Federal (STF), segundo a CNN, classificaram como uma “ousadia” a possibilidade de representantes estrangeiros questionarem publicamente o sistema eleitoral brasileiro.
Apesar disso, integrantes do Judiciário também destacaram que a presença de observadores internacionais em eleições é prática comum, desde que ocorra dentro dos canais institucionais e sem interferência política.
Lula reage
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Neste sábado (25), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva voltou a defender a soberania brasileira ao comentar o episódio durante convenção partidária.
“Quem quiser de fora vir se meter nas eleições brasileiras, já vou avisando logo: vão apanhar muito aqui nas eleições. Quem vai decidir o destino desse país são 157 milhões de eleitores”, afirmou.
O presidente também declarou que o Brasil pretende manter relações diplomáticas com todos os países, mas reiterou que não aceitará interferências externas no processo eleitoral.
O episódio amplia mais um capítulo da deterioração das relações entre Brasília e Washington, marcada nos últimos meses por divergências políticas e comerciais.