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O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), demonstrou forte irritação com a troca do delegado da Polícia Federal responsável pelo inquérito que investiga fraudes bilionárias no Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). A investigação apura um esquema de descontos associativos não autorizados em aposentadorias e pensões e tem entre os investigados o empresário Fábio Luís Lula da Silva, conhecido como Lulinha, filho mais velho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). A mudança ocorreu sem comunicação prévia ao relator do caso, o que aumentou o desconforto dentro do STF.
O delegado Guilherme Figueiredo Silva, que comandava a Divisão de Repressão a Crimes Previdenciários da PF desde julho de 2025, vinha conduzindo as principais linhas de investigação da Operação Sem Desconto. André Mendonça soube da substituição por meio de advogados ligados ao processo e recebeu a confirmação oficial apenas após um ofício encaminhado pela Polícia Federal ao Supremo em 8 de maio. A situação foi considerada delicada por integrantes da Corte devido à sensibilidade política do caso e à dimensão das fraudes investigadas.
Nesta sexta-feira (15 de maio de 2026), Mendonça se reuniu por cerca de duas horas com a nova equipe da Polícia Federal encarregada do inquérito. Durante o encontro, o ministro exigiu explicações formais sobre a troca no comando das investigações e reforçou a necessidade de independência, imparcialidade e agilidade na condução do caso. Segundo relatos, o magistrado também cobrou rapidez na análise dos materiais apreendidos e na apresentação de resultados concretos das diligências já realizadas.
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A Polícia Federal afirmou que a substituição faz parte de uma reestruturação interna voltada para aumentar a eficiência das investigações. O caso foi transferido para a Coordenação de Inquéritos em Tribunais Superiores, setor especializado em apurações envolvendo autoridades com foro privilegiado. A corporação também alegou que a proximidade das eleições gerais de outubro exigiu o reforço das equipes responsáveis por investigações de grande repercussão nacional.
A troca no comando do inquérito provocou reação imediata da oposição. O senador Carlos Viana (PSD-MG), ex-presidente da CPMI do INSS, encaminhou um ofício à direção da Polícia Federal solicitando esclarecimentos detalhados sobre os motivos da substituição do delegado responsável. Parlamentares oposicionistas afirmam que a mudança levanta dúvidas sobre uma possível interferência política em uma investigação considerada sensível por envolver nomes próximos ao Palácio do Planalto.
Apesar da repercussão, o inquérito segue em andamento sob relatoria do ministro André Mendonça, que prometeu acompanhar de perto os próximos passos da Operação Sem Desconto. A expectativa agora é pela continuidade das diligências e pela conclusão das análises do material apreendido pela Polícia Federal nos últimos meses.