Clique e receba notícias do Poder Nacional em seu WhatsApp:
Entrar no grupo
A lobista Roberta Luchsinger, que é alvo de investigações por suspeitas de tráfico de influência, apresentava Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, filho primogênito de Luiz Inácio Lula da Silva (PT), como seu parceiro de negócios. O fato contradiz sua versão oficial relatada à Justiça.
Durante depoimento prestado aos agentes da Polícia Federal (PF) em maio deste ano, a investigada declarou que a relação mantida com Lulinha era restrita a uma amizade comum. Na ocasião formal, ela negou aos investigadores a existência de qualquer transferência financeira ao homem.
Apesar das declarações, registros inéditos de conversas exibem a investigada referindo-se a Fábio como seu sócio em oito ocasiões diferentes. As interações por meio de mensagens de texto e áudio aconteceram nos anos de 2023 e 2024 e foram obtidas pelo portal Metrópoles.
Publicidade
Os diálogos interceptados indicam rotinas compartilhadas, incluindo estadias em hotéis de luxo em Paris e planejamento de viagens a Genebra. Em uma das conversas, registrada no mês de janeiro, a lobista cita o empresário Fernando Bittar como integrante da sociedade com o rapaz. (leia na íntegra ao final da matéria)
O atual chefe do Executivo federal comentou o assunto durante a sabatina do Jornal Nacional, na TV Globo, no dia 27 de agosto. Lula relatou desconhecer a investigada, mas fotos de ambos juntos circularam nas redes logo depois. Ele usou termos pejorativos contra a mulher.
— Eu não conheço essa moça. Nunca vi essa moça na minha vida. Nunca conversei com essa moça. (…) O que uma pilantra pode fazer num telefone ou o que um cara qualquer pode fazer num telefone? — declarou o presidente.
As ligações entre Lulinha e Luchsinger compõem três inquéritos analisados pelo Supremo Tribunal Federal (STF). A apuração mais adiantada investiga um possível tráfico de influência no Ministério da Saúde focado em facilitar a venda de remédios criados com derivados de cannabis.
O inquérito sobre as medicações de CBD também envolve Antônio Carlos Camilo Antunes, o “Careca do INSS”. O investigado trabalhou em conjunto com o filho do político na empresa de nome Cannabis World. Os dois realizaram viagens para Portugal e Espanha, país onde Lulinha reside desde 2023.
Publicidade
As outras duas apurações em andamento na corte judicial analisam fatos distintos. Uma investiga possíveis pagamentos feitos pela investigada a Marco Aurélio Santana Ribeiro, antigo assessor de Lula. O terceiro inquérito foca em indícios de ações de influência na empresa estatal Dataprev.
Leia, em ordem cronológica as mensagens interceptadas pela PF: No dia 25 de junho de 2023, ela envia mensagem para uma vendedora de roupas, identificando Renata, companheira de Lulinha.
— Ela eh amiga da Renata minha melhor amiga q eh esposa do meu sócio Fábio q eh filho do presidente — destacou.
Em outubro de 2023, Luchsinger conversa com um advogado atuante em São Paulo.
— O Fábio eh [sic] meu sócio. Eu, ele e o Fernando Bittar — enviou.
Publicidade
No dia 10 de janeiro de 2024, Roberta fala sobre Fernando Bittar com o contato “Rose Amorim”, salientando que tem negócios com ele e com o “filho do presidente”.
— Lembra do Fernando, meu sócio na empresa que eu tenho com ele, com o Fábio, filho do presidente? — perguntou.
Em 28 de janeiro, Roberta avisa para uma amiga sobre uma viagem para a Suíça. Ela destaca, entre parênteses, a relação com Lulinha.
— Querida, estou indo dia 5 de fevereiro para Genebra com as filhas. Conosco irão Fábio (meu sócio), filho do presidente Lula, com a esposa e filhos — escreveu.
Em 22 de fevereiro de 2024, Luchsinger fala de uma viagem de Lulinha para Barcelona com “Ana Carolina Melchert”.
Publicidade
— E o Fábio, meu sócio, já viajou para Barcelona. E aí eu tenho que correr com as coisas, né? — detalhou em áudio.
No dia 3 de março de 2024, a lobista encaminha uma mensagem para “Ana Carolina Alencar”.
— Mostra (a) Marcelo a mensagem do meu sócio, Fábio — pediu.
No dia 13 de maio de 2024, em outra conversa com o contato “Alexandre Rodrigues”, ela diz que ficará em Brasília “com seu sócio q é filho do pr”, uma sigla utilizada para se referir ao presidente da República.
No diálogo mais recente, de junho de 2024, ela fala com um contato identificado como “Adelaida Borg – Gerente Le Bristol”, fazendo referência a um hotel cinco estrelas na capital francesa.
Publicidade
— Que pena! Estava com meu sócio e a família. Filho do presidente Lula. Fizemos mta compra e adoraria ter lhe encontrado — afirmou em mensagem.