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Brasília, 11 de maio de 2026 — Enquanto o presidente Luiz Inácio Lula da Silva sancionava, nesta segunda-feira (11), a lei que institui o Dia Nacional em Memória das Vítimas da Covid-19 e criticava a gestão anterior da pandemia, uma auditoria do Tribunal de Contas da União (TCU) expõe graves falhas na própria administração petista na área da saúde, com desperdícios milionários em vacinas.
Na cerimônia realizada no Palácio do Planalto, Lula prestou homenagem aos mais de 700 mil brasileiros mortos pela doença e voltou a responsabilizar o governo Jair Bolsonaro pela condução “desastrosa” da crise sanitária. A lei sancionada fixa o dia 12 de março — data da primeira morte por Covid no Brasil — como data oficial de reflexão sobre as vítimas.
No entanto, o contraste com os números da atual gestão chama atenção. Uma auditoria recente do TCU aponta que a demora de cerca de sete meses do Ministério da Saúde, em 2023, para finalizar a contratação de vacinas Coronavac resultou no desperdício de pelo menos R$ 260 milhões em doses que venceram no estoque. Das cerca de 10 milhões de doses adquiridas junto ao Instituto Butantan, quase 8 milhões (cerca de 80%) foram descartadas sem uso. Apenas cerca de 260 mil doses foram efetivamente aplicadas. O valor total do contrato chegava a R$ 330 milhões.
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O TCU criticou a morosidade na contratação, a aceitação de lotes com validade curta e a falta de planejamento logístico, considerando que a lentidão foi a “principal causa” para a perda dos imunizantes. O Ministério da Saúde tem atribuído parte do problema à baixa demanda pela Coronavac, seguindo orientações da OMS por vacinas atualizadas, e a uma suposta “herança” de estoques anteriores.
Desperdícios recorrentes na Saúde
O caso da Coronavac não é isolado. Em 2025, o Ministério da Saúde incinerou mais de R$ 108 milhões em vacinas, medicamentos e insumos básicos — parte deles ainda dentro da validade. Levantamentos mostram que, em três anos de governo Lula, o volume de descarte chegou a R$ 2 bilhões, valor significativamente superior ao registrado em mandatos anteriores.
Auditorias da Controladoria-Geral da União (CGU) também identificaram distorções bilionárias nas contas do Ministério da Saúde, falhas no monitoramento de estoques e problemas na gestão de programas de imunização, incluindo baixa cobertura vacinal e demora na aquisição de doses contra a dengue em meio à explosão de casos em 2024.
Esses números surgem no mesmo momento em que o governo busca capitalizar politicamente a memória das vítimas da pandemia. Para críticos, a solenidade de hoje funciona mais como cortina de fumaça do que como prestação real de contas sobre a gestão atual dos recursos públicos na saúde.
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O TCU continua cobrando explicações de ex-gestores do Departamento de Logística em Saúde. Até o momento, o Palácio do Planalto e o Ministério da Saúde não se manifestaram diretamente sobre a coincidência entre o ato de hoje e as conclusões da auditoria. A oposição já classifica o evento como “hipocrisia”: homenagear as vítimas enquanto o próprio governo registra perdas expressivas de vacinas pagas com dinheiro público. O caso reforça o debate sobre a eficiência na aplicação de recursos na área da saúde, um dos principais gargalos do terceiro mandato de Lula.