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Moraes e Alcolumbre têm reunião de 3 horas antes de ofensiva contra Mendonça

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O ministro Alexandre de Moraes e o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, reuniram-se reservadamente por três horas na residência do magistrado, no Lago Sul, pouco antes de Moraes formalizar uma ofensiva jurídica contra o ministro André Mendonça. O encontro, ocorrido na última quarta-feira (2), antecedeu uma decisão baseada em relatórios de inteligência classificados como de “baixo grau de confiança” e cujos próprios autores alertavam que o uso externo seria “prematuro”.

A decisão de Moraes utiliza documentos apócrifos e sem provas para sustentar que Mendonça teria agido com “viés político” contra Alcolumbre. O senador, por sua vez, é apontado nos relatórios como um “provável alvo estratégico” de Mendonça devido ao histórico de embates durante a sabatina do ministro no Senado. O movimento de Moraes ocorre estrategicamente três dias após Mendonça enviar à Procuradoria-Geral da República (PGR) mensagens do celular do banqueiro Daniel Vorcaro que citam o próprio Moraes.

A articulação entre o ministro e o parlamentar estende-se ao campo político. Interlocutores afirmam que Moraes trabalha para que Alcolumbre paute o impeachment de André Mendonça, sob alegação de crime de responsabilidade. “É mais fácil o Alcolumbre rifar os 80 senadores do que largar o Moraes”, definiu um senador sob reserva, destacando a dependência mútua entre o chefe do Legislativo e o integrante da Suprema Corte.

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A proximidade entre ambos também resultou na recente articulação conjunta com a oposição bolsonarista para derrubar a indicação de Jorge Messias ao STF, nome apoiado por Mendonça. O alinhamento ocorre enquanto Alcolumbre tenta se desvencilhar de investigações que o ligam a Vorcaro. O senador participou de eventos patrocinados pelo Banco Master em Londres e foi o responsável pela indicação do presidente da Amprev, fundo de pensão que perdeu R$ 400 milhões em títulos da instituição financeira.

Paradoxalmente, a manobra de Moraes para blindar a si mesmo e a Alcolumbre pode resultar na impunidade da maior fraude bancária da história do país. Ao alegar “quebra na cadeia de custódia” para atacar a conduta de Mendonça, Moraes entregou à defesa de Daniel Vorcaro o argumento jurídico necessário para implodir toda a investigação da Polícia Federal e anular as provas colhidas contra o banqueiro.

Fonte: ManuGaspar O Globo


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