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O banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master, afirmou ao ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), que ele e sua família tinham uma “dívida de vida” com o magistrado. A mensagem foi enviada três dias antes da primeira prisão do banqueiro e faz parte de um conjunto de registros encontrados pela Polícia Federal (PF) no celular de Vorcaro.
– Estamos juntos sempre. Você sabe que tenho gratidão da minha vida a você. Toda minha família, funcionários, parceiros, amigos que dependem de nós têm uma dívida de vida contigo e com sua família. Muito obrigado por tudo. Agora é continuar na pegada para conseguir concluir, se Deus quiser – escreveu Vorcaro em 14 de novembro de 2025.
A PF, no entanto, não conseguiu recuperar as respostas de Moraes. Segundo o relatório, Vorcaro tinha o hábito de escrever mensagens no aplicativo Notas do celular, fazer capturas de tela e enviá-las ao destinatário como imagens de visualização única. Com a apreensão do aparelho, os investigadores conseguiram acessar o conteúdo produzido pelo banqueiro, mas não as respostas recebidas.
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O relatório da PF indica que o contato entre Vorcaro e Moraes existia pelo menos desde janeiro de 2024. Naquele período, a esposa do ministro, a advogada Viviane Barci de Moraes, encaminhou ao banqueiro uma minuta de um contrato para a prestação de serviços jurídicos pelo escritório da família.
Posteriormente, os investigadores identificaram nos metadados do documento uma edição atribuída ao perfil “Ministro Alexandre de Moraes”. O escritório Barci de Moraes confirmou que o magistrado teve acesso ao contrato e afirmou que ele foi consultado pelo setor de compliance da banca para verificar a existência de eventual impedimento legal à contratação.
De acordo com a investigação, a troca de mensagens entre Vorcaro e Moraes se tornou mais frequente a partir de outubro de 2025, período que antecedeu a prisão do banqueiro.
Nos registros, Vorcaro demonstra ter conhecimento de movimentações envolvendo o Banco Central e relata as dificuldades que enfrentava. Em algumas mensagens, pede ao interlocutor que tente intermediar contatos com o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, e com o procurador-geral da República, Paulo Gonet.
O relatório também registra uma mensagem em que o banqueiro demonstra preocupação com a situação do Banco Master e afirma que precisava de proteção para evitar que integrantes da PF e do Ministério Público Federal adotassem medidas contra ele.