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O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil AP), deixou clara nesta quarta feira sua posição de distanciamento em relação ao Palácio do Planalto. Questionado sobre possíveis gestos de reconciliação após a derrota da indicação de Jorge Messias ao Supremo Tribunal Federal, Alcolumbre foi direto. “Eu tenho que esperar alguma coisa? Não tenho que esperar nada”, declarou o senador a jornalistas.
Ao ser perguntado novamente se aguardava uma nova indicação de Lula ao STF ainda em 2026, o presidente da Casa repetiu a frase. “Não tenho que esperar nada.” A declaração reforça o impasse político aberto após a rejeição histórica do nome de Messias, advogado geral da União e um dos auxiliares mais próximos do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
A indicação de Messias foi rejeitada pelo plenário do Senado na semana passada por 42 votos a 34. A margem surpreendeu o governo, que esperava ao menos 45 apoios. Parlamentares relatam que Alcolumbre não apenas se absteve de trabalhar pela aprovação, mas atuou ativamente para convencer senadores do MDB, PSD, União Brasil e PP a votarem contra o nome. Crise acumulada desde o ano passado
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A tensão entre Alcolumbre e o governo não surgiu na votação. Ela se intensificou desde novembro do ano anterior, quando Lula anunciou a indicação de Messias sem consultar previamente o presidente do Senado. Alcolumbre defendia a escolha do ex presidente da Casa, Rodrigo Pacheco (PSD MG), para a vaga deixada no Supremo.
Aliados do senador afirmam que a forma como o Planalto conduziu o processo foi vista como desrespeito à cúpula do Senado. Após a derrota, o governo mobilizou ministros como José Múcio e José Guimarães para tentar reaproximar-se de Alcolumbre. No entanto, os encontros não sinalizaram abertura por parte do presidente da Casa.
Demonstração de força
Para parlamentares próximos a Alcolumbre, a rejeição de Messias representou uma demonstração clara de que as negociações internas do Senado passam necessariamente pelo seu presidente. Desconsiderar esse papel, segundo eles, gera consequências políticas concretas. A crise expõe um dos momentos de maior desgaste entre o Senado e o Executivo no terceiro mandato de Lula. O Planalto agora avalia os próximos passos, inclusive a possibilidade de uma nova indicação ao Supremo, enquanto Alcolumbre mantém posição firme de que não aguarda iniciativas do governo.
A rejeição também abriu discussões sobre o futuro da vaga no STF e os impactos nas relações institucionais entre os Poderes nos próximos meses.