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Delação de Vorcaro que expõe um novo pagamento milionário à mulher de Alexandre de Moraes é rejeitado

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Brasília – Uma proposta de delação premiada rejeitada pela Polícia Federal expôs mais um contrato milionário celebrado entre o Banco Master, de Daniel Vorcaro, e o escritório de advocacia da esposa do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal. O caso reforça as suspeitas de que a proximidade financeira com o poderoso ministro do STF pode não ser mera coincidência.

De acordo com informações da colunista Malu Gaspar, publicadas nesta quarta-feira (3) pelo jornal O Globo, Vorcaro incluiu em um dos anexos da delação inicial — rejeitada pela PF em 20 de maio — a menção a um *novo contrato de R$ 50 milhões* com o escritório de Viviane Barci de Moraes. O acordo teria sido elaborado semanas antes da prisão de Vorcaro e da intervenção no Banco Master, mas, segundo a versão do banqueiro, não chegou a ser assinado nem pago.

O valor se soma ao contrato anterior, já conhecido, de *R$ 129 milhões* (cerca de R$ 3,6 milhões por mês durante três anos) firmado entre a instituição financeira e o mesmo escritório para supostos serviços de compliance e consultoria jurídica. Em sua colaboração, Vorcaro admitiu que o objetivo declarado era buscar “proximidade” com o ministro Alexandre de Moraes.

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O episódio levanta questionamentos graves sobre possível tráfico de influência e conflito de interesses. Um dos homens mais poderosos do Judiciário brasileiro tem sua família diretamente beneficiada por contratos de alto valor com um banco que depois foi liquidado pelo Banco Central e alvo de investigações da própria Polícia Federal — a quem Moraes costuma recorrer para pautar inquéritos polêmicos.

Especialistas em direito constitucional ouvidos reservadamente criticam a falta de transparência e o evidente risco ético. “Quando o escritório da esposa de um ministro recebe dezenas de milhões de reais de um investigado ou de uma instituição sob pressão regulatória, a presunção de imparcialidade fica gravemente comprometida”, afirmou um procurador que acompanha o caso.

A delação inicial de Vorcaro foi rejeitada por supostamente omitir detalhes relevantes, o que levou à apresentação de uma nova proposta. O relator no STF é o ministro André Mendonça. Até o momento, Moraes não se manifestou publicamente sobre os novos detalhes revelados.
O caso ocorre em um contexto de crescente desconforto da sociedade com o ativismo judicial e a concentração de poder nas mãos de poucos ministros do Supremo, especialmente Moraes, conhecido por decisões enérgicas em inquéritos que envolvem liberdade de expressão, redes sociais e investigados políticos.

Enquanto o país assiste a mais esse capítulo, a pergunta que permanece é incômoda: até que ponto contratos milionários com familiares de ministros configuram mera prestação de serviços ou uma forma velada de proteção e influência no mais alto grau da Justiça brasileira? A resposta, por ora, segue sob sigilo e sob investigação.


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