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Jovem morre de câncer após não receber remédio liberado no SUS

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Uma jovem de 29 anos faleceu vítima de leucemia sem acesso ao medicamento garantido pelo Sistema Único de Saúde (SUS) mesmo após determinação da Justiça. Larissa Amorim, de 29 anos, tinha dois filhos e foi diagnosticada aos 6 anos de idade. Ela perdeu a luta contra o câncer em maio deste ano.

A doença estava controlada, mas se agravou e evoluiu para um quadro agudo em julho de 2025. Médicos indicaram imunoterapia antes de um transplante de medula óssea, após a quimioterapia não apresentar os resultados esperados.

Os medicamentos receitados para Larissa foram o blinatumomabe e o ponatinibe. Diante da falta na rede pública, a família acionou a Justiça. Em março, uma decisão de segunda instância do TRF-3 obrigou a União a fornecer o tratamento de maneira imediata à paciente.

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Diante da indisponibilidade do medicamento, o Ministério da Saúde afirmou que solicitou depósito judicial, mas não obteve resposta.

— [O Ministério da Saúde] adotou todas as providências necessárias para o cumprimento da decisão judicial que determinou a oferta do medicamento. Diante da indisponibilidade imediata do medicamento, a pasta solicitou autorização judicial para realização do depósito judicial, mas não obteve resposta — disse.

A pasta alegou também que o quadro da paciente não se enquadrava nas regras do SUS que indicavam o uso de blinatumomabe para casos específicos de Leucemia Linfoblástica Aguda (LLA). No entanto, a decisão liminar aponta que esse era o caso de Larissa e que o quadro teria evoluído para Leucemia Mielóide Crônica (LMC) ainda na infância da paciente.

Enquanto os remédios não chegavam, Larissa seguiu com a quimioterapia. Com a saúde debilitada, contraiu uma infecção e morreu 59 dias após a ordem judicial favorável. Murillo Barbosa, marido de Larissa, relembrou o dia em que a paciente soube da decisão liminar.

— Ela estava com tanta esperança dessa medicação chegar. Quando saiu a decisão, ela me ligou chorando, emocionada — disse Murillo, em entrevista ao Portal Metrópoles.

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Casos semelhantes levaram a Associação Brasileira de Câncer do Sangue (Abrale) a acionar o Ministério Público Federal (MPF) e a Procuradoria-Geral da República. O objetivo é investigar falhas estruturais no acesso a tratamentos já aprovados pelo próprio Estado.

A Abrale aponta que, mesmo após aprovação da Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no Sistema Único de Saúde (Conitec), a distribuição sofre longos atrasos. O prazo legal para o remédio chegar ao SUS é de 180 dias. No entanto, burocracias de compra e atualização de diretrizes clínicas podem fazer a espera durar anos.

Especialistas reforçam que a imunoterapia usa tecnologia avançada para fazer o corpo combater o tumor. O alto custo das caixas, que chegam a R$ 43 mil, aliado ao orçamento limitado do SUS, forma um desafio logístico e financeiro na saúde pública.

Leia a nota oficial emitida pelo Ministério da Saúde sobre o caso:
O Ministério da Saúde adotou todas as providências necessárias para o cumprimento da decisão judicial que determinou a oferta do medicamento. Diante da indisponibilidade imediata do medicamento, a pasta solicitou autorização judicial para realização do depósito judicial, mas não obteve resposta. O blinatumomabe foi incorporado ao SUS para indicações específicas relacionadas à Leucemia Linfoblástica Aguda (LLA), não abrangendo o quadro clínico da paciente mencionada.

Com a Portaria da Assistência Farmacêutica Oncológica (AF-Onco), publicada em outubro de 2025, o Ministério da Saúde está acelerando o acesso dos pacientes aos medicamentos ao reestruturar a logística de distribuição, com sistemas integrados entre estados e municípios, aquisição centralizada e rastreabilidade de estoques. Com investimento de R$ 2,2 bilhões, a iniciativa ampliará em 35% a oferta de medicamentos para o tratamento do câncer. Ao todo, serão incorporados gradualmente 23 novos fármacos de alto custo, beneficiando cerca de 112 mil pacientes.

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