A movimentação que envolve o prefeito de Senador Canedo, Fernando Pellozo, e a projeção política da primeira-dama e secretária municipal de Assistência Social, Simone Assis, começa a ganhar contornos mais sensíveis no cenário político local e estadual. Nos bastidores, cresce a avaliação de que o grupo pode estar flertando com uma estratégia já conhecida, e rejeitada pelo eleitorado: a familicracia.
A discussão ganhou força após Simone confirmar, em entrevista ao programa Universo Politheia, apresentado por Luiz Gama, que recebeu convite do vice-governador Daniel Vilela para assumir a presidência do MDB em Senador Canedo. Na mesma conversa, ela não descartou disputar uma vaga de deputada estadual nas próximas eleições.
Um roteiro já conhecido
O que chama atenção, segundo aliados e analistas políticos, é que essa estratégia pode não ser nova para Pellozo. Ele já caminhou ao lado do senador Vanderlan Cardoso, um dos principais exemplos recentes de projetos políticos baseados na força familiar.
Em 2020, Vanderlan foi o principal aliado de Fernando Pellozo na disputa pela Prefeitura de Senador Canedo, oferecendo apoio político e estrutural decisivo naquele pleito, mas romperam tempos depois. À época, a aliança foi vista como estratégica. Hoje, porém, críticos avaliam que Pellozo pode ter absorvido não apenas o apoio, mas também a lógica política do aliado: ampliar poder por meio de vínculos familiares. Quem também tentou fazer o mesmo e fracassou foi o Dputado Pina com a sua mulher Cristiane Pina.
Eleitor canedense rejeita concentração de poder
Historicamente, o eleitor de Senador Canedo já demonstrou resistência clara a esse tipo de arranjo. Experiências anteriores mostram que o voto local tende a separar a aprovação de uma gestão municipal da aceitação automática de familiares como herdeiros políticos.
Casos ligados ao próprio Vanderlan Cardoso com a sua mulher Izaura, são frequentemente lembrados como exemplo de que capital político não se transfere por sobrenome. Em disputas passadas, projetos associados à concentração familiar encontraram dificuldades para se sustentar nas urnas.
Contradição partidária e desgaste interno
Outro ponto que gera incômodo é o desenho partidário do movimento. Fernando Pellozo é filiado ao União Brasil, enquanto Simone Assis se projeta no MDB.
Nos bastidores, a pergunta é inevitável:
como ficam os companheiros de caminhada, militantes e lideranças que acreditaram no projeto político coletivo e agora veem o espaço ser ocupado por uma candidatura familiar?
Esse tipo de decisão costuma gerar desgaste interno, enfraquecer alianças e, em casos mais extremos, provocar rupturas dentro do próprio grupo que hoje sustenta a gestão municipal.
Candidatura sem teste eleitoral
Apesar de comandar uma secretaria relevante, Simone Assis nunca disputou uma eleição. Não passou pelo crivo das urnas, não enfrentou campanha proporcional nem o debate público intenso de uma corrida estadual. Para analistas, lançar um nome sem histórico eleitoral pode ser visto como imposição, e não como construção política legítima.
Alerta ligado
O protagonismo político que Pellozo conquistou nos últimos anos é inegável. No entanto, há consenso entre observadores de que excesso de concentração de poder pode transformar força em vulnerabilidade.
A história política recente, já deixou sinais claros:
quando a política deixa de ser projeto coletivo e passa a girar em torno de laços familiares, o eleitor reage.
Resta saber se Fernando Pellozo irá ouvir esse alerta ou se insistirá em uma estratégia que, no passado, já mostrou ser um fracasso.