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Brasília – Relatórios da Polícia Federal produzidos no âmbito da Operação Compliance Zero apontam que o empresário Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master, buscou apoio político para viabilizar a venda da instituição financeira ao Banco Regional de Brasília (BRB). Os documentos descrevem articulações e mensagens apreendidas durante a investigação.
Segundo a PF, Vorcaro identificou como favoráveis à operação o senador Jaques Wagner (PT-BA), líder do governo no Senado, o ministro da Casa Civil, Rui Costa (PT), e o ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira (PSD). Os nomes aparecem em relatórios que analisam as tratativas relacionadas ao Banco Master.
A investigação aponta que a incorporação pelo BRB era vista como uma alternativa para a instituição financeira antes dos desdobramentos que culminaram na liquidação do banco pelo Banco Central. A Polícia Federal apura o contexto dessas negociações.
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Além das tratativas envolvendo a venda do banco, os investigadores encontraram mensagens atribuídas a Daniel Vorcaro relacionadas à logística de um voo privado que, segundo a PF, teria sido utilizado para transportar o senador Jaques Wagner.
De acordo com o relatório, as mensagens foram trocadas em 11 de setembro de 2024. Nelas, Vorcaro orienta seus auxiliares a adotar medidas de discrição durante a operação envolvendo a aeronave.
Entre as determinações registradas nas conversas estão frases como “algum que ninguém conheça”, em referência à escolha de um hangar reservado, além de orientações para retirar rapidamente o avião do local e evitar exposição da operação.
A Polícia Federal também afirma que mapeou outras ocasiões em que Jaques Wagner teria utilizado aeronaves ligadas a Daniel Vorcaro ou ao ex-sócio Augusto Ferreira Lima, sem que houvesse registro de pagamento pelos voos.
Os investigadores ainda apuram suspeitas de que outras vantagens teriam sido oferecidas ao parlamentar, incluindo um apartamento de alto padrão em Salvador e ingressos para um show da cantora Taylor Swift destinados a familiares.
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Em manifestações anteriores, Jaques Wagner negou qualquer irregularidade, afirmou que sua relação com Daniel Vorcaro é “praticamente inexistente” e declarou que jamais atuou para favorecer interesses do Banco Master. Alexandre Silveira também negou envolvimento nas tratativas, enquanto Rui Costa não havia se manifestado publicamente sobre o conteúdo dos relatórios.
As informações fazem parte da Operação Compliance Zero e integram a investigação conduzida pela Polícia Federal. As citações constantes dos relatórios representam elementos investigativos em apuração e não constituem, por si sós, conclusão judicial sobre eventual responsabilidade dos mencionados.