INSCREVA-SE
O preço médio do diesel no Brasil chegou a R$ 7,22 na 4ª feira (19.mar.2026), segundo levantamento da TruckPag, empresa que faz gestão de frotas. No fim de fevereiro, quando a companhia usa como marco o início da guerra no Oriente Médio, a média era de R$ 5,74. A alta de R$ 1,48 por litro aparece em uma base de mais de 143 mil transações realizadas em 4.664 postos, dos quais 94% ficam em rodovias. Nos últimos 30 dias, 81,9% das compras monitoradas foram feitas por caminhões.
O dado central do levantamento, divulgado pelo g1, é justamente a velocidade do avanço. A Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis já havia apontado, na semana anterior, aumento de 11% no diesel, mas a leitura da TruckPag indica uma escalada mais aguda no preço pago diretamente nas bombas.
Como a ANP publica os números de forma semanal, com coleta concentrada nos 3 primeiros dias úteis, a fotografia oficial tende a chegar depois em momentos de oscilação forte. “Num choque como esse, onde os preços subiram quase 1% ao dia, essa janela de atraso da ANP é significativa”, disse o CEO da TruckPag, Kassio Seefeld. “Na prática, nossos dados mostram que o preço transacionado no posto já subiu quase R$ 1,50 na média nacional desde 28 de fevereiro”, afirmou.
No Norte, Tocantins registrou a maior alta desde 28 de fevereiro, de 37,1%. No Nordeste, o maior avanço foi o do Piauí, com 28%. Goiás liderou no Centro-Oeste, com 29,2%. No Sudeste, São Paulo ficou no topo, com alta de 27%. No Sul, Santa Catarina teve o maior aumento, de 29,9%.
Esse movimento se dá apesar do pacote anunciado pelo governo Luiz Inácio Lula da Silva (PT) em 12 de março para tentar reduzir o impacto da disparada internacional. As medidas combinam zeragem de PIS/Cofins sobre o diesel, com efeito estimado de R$ 0,32 por litro, e uma subvenção de mais R$ 0,32 a produtores e importadores. A conta total estimada pela equipe econômica é de R$ 30 bilhões até o fim de 2026. O governo também reforçou a fiscalização para coibir armazenamento injustificável de combustíveis e aumentos sem justificativa econômica.
Segundo Seefeld, o mercado doméstico continua exposto à alta externa porque cerca de 30% do diesel consumido no Brasil é importado e segue o preço internacional. “Quando o barril sobe 80% em 20 dias, esse diesel chega mais caro no porto e a distribuidora não tem como absorver. O repasse vai para o posto, e do posto vai para o transportador”, declarou. É esse encadeamento que ajuda a explicar por que, mesmo com a tentativa do governo de segurar parte do repasse, o levantamento da TruckPag já mostra o diesel em patamar bem superior ao do fim de fevereiro.
Poder360