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Uma declaração feita pelo ex-ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Luís Roberto Barroso, em maio de 2025, voltou a gerar repercussão nas últimas horas após o governo brasileiro negar os vistos de entrada de dois diplomatas do Departamento de Estado dos Estados Unidos que participariam de uma missão que discutiria, entre outros pontos, a integridade eleitoral no país.
Durante a Brazil Week, realizada em maio do ano passado em Nova Iorque, Barroso afirmou ter buscado o governo norte-americano para obter “apoio à democracia brasileira” enquanto ainda era presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Na ocasião, o ex-ministro do STF disse acreditar que a medida teve resultado porque “os militares brasileiros não gostam de se indispor com os Estados Unidos”.
– Eu mesmo, como presidente do Tribunal Superior Eleitoral, estive com o encarregado de negócios americanos, tive muitas vezes, mas em três vezes, eu pedi declarações dos Estados Unidos de apoio à democracia brasileira, uma delas no próprio Departamento de Estado, e acho que isso teve algum papel, porque os militares brasileiros não gostam de se indispor com os Estados Unidos – declarou Barroso.
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O contexto da declaração contrasta com a decisão tomada pelo governo brasileiro na última sexta-feira (24), quando o Itamaraty negou os vistos de entrada de Riley Barnes e Samuel Samson, integrantes do Departamento de Estado dos Estados Unidos que viajariam a Brasília para reuniões sobre integridade eleitoral e liberdade de expressão antes das eleições presidenciais.
Em nota divulgada neste sábado (25), o Departamento de Estado americano afirmou que a missão fazia parte das atividades rotineiras do Escritório de Democracia, Direitos Humanos e Trabalho (DRL) e negou qualquer intenção de interferir no processo eleitoral brasileiro.
Segundo o governo dos Estados Unidos, “qualquer insinuação de que a visita seria uma ‘manobra’ para minar as eleições de uma nação democrática é uma mentira sem fundamento”. A pasta afirmou ainda que se tratava de uma visita de rotina.
A negativa dos vistos ocorreu antes da publicação de uma reportagem do The Washington Post, que apontou os dois diplomatas como integrantes de uma estratégia americana voltada ao acompanhamento das eleições brasileiras.
Assessores da Presidência avaliaram porém que, embora o Brasil costume receber observadores internacionais em períodos eleitorais, o perfil da missão americana era diferente do habitual. A interpretação foi de que a visita poderia ser vista como uma tentativa de interferência no debate sobre o sistema eleitoral brasileiro, motivo pelo qual a entrada dos diplomatas foi barrada.