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Longe de ser o membro mais famoso da família, o tabelião Leonardo de Moraes, irmão do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), tem uma trajetória multifacetada: é tabelião, professor, escritor, artista plástico e roteirista, além de manter presença ativa em debates públicos. Como era de se esperar, em seu posicionamento político figura a defesa do irmão famoso.
– Não tenho a menor dúvida de que meu irmão ajudou a salvar a democracia brasileira – disse ele.
Mas a proximidade com o ministro não se limita ao vínculo familiar. Ao longo dos anos, Leonardo esteve em espaços institucionais semelhantes e, em certo momento, integrou o mesmo escritório de advocacia do irmão. Em 2017, ano em que Alexandre assumiu uma cadeira no Supremo Tribunal Federal, Leonardo tomou posse como titular do 1° Cartório de Notas de Santos, após aprovação em concurso.
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Mais recentemente, ele tem se apresentado como alguém engajado no debate político, especialmente no enfrentamento ao que define como “ciclo de retorno do pensamento de ultradireita”, que é como ele chama a direita brasileira. Esse posicionamento crítico à direita, por sinal, aparece no romance Tia Beth, lançado por ele em 2023, em que traça paralelos entre o regime militar e o cenário político contemporâneo.
Em entrevistas, normalmente para falar sobre o livro, Leonardo também compartilha episódios pessoais e familiares. Um deles envolve o apelido “Xandão”, que, segundo ele, originalmente era usado dentro de casa para se referir ao filho do ministro, e não ao próprio Alexandre, como acabou se popularizando.
Sua trajetória profissional inclui passagens pelo governo de São Paulo no início dos anos 2000, período em que Alexandre de Moraes ocupava cargos de destaque na administração estadual. Depois, entre 2009 e 2014, os dois voltaram a se encontrar como sócios em um escritório voltado ao Direito Público, antes de Leonardo migrar para a atividade notarial.
Além da atuação no cartório, ele mantém produção constante nas áreas cultural e digital. Publica livros, participa de projetos audiovisuais e usa redes sociais tanto para divulgar trabalhos artísticos quanto para explicar temas do mundo do tabelionato de forma acessível ao público.
Recentemente, o nome de Leonardo também apareceu em discussões jurídicas envolvendo sua permanência no cartório. A situação foi a seguinte: embora Leonardo de Moraes tenha ingressado no cartório por concurso, uma denúncia apresentada por Edmundo Berçot Júnior, ex-presidente do MDB de Praia Grande, afirma que ele integraria uma lista de “delegatários irregulares” que deveriam ter sido afastados.
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A controvérsia ganhou força no julgamento da ADPF 209, ação que tratava justamente das regras aplicáveis à titularidade de cartórios em São Paulo. Na ocasião, Alexandre de Moraes foi o único ministro a divergir do relator e dos demais integrantes da Corte, ao votar pela chamada “perda de objeto”, entendimento que, na prática, encerraria o caso sem análise de mérito e preservaria a situação existente.
Para críticos, essa posição teria o efeito de evitar mudanças que poderiam atingir o cartório comandado por seu irmão, funcionando como uma espécie de proteção indireta. Leonardo, por sua vez, rejeita qualquer irregularidade e sustenta que sua permanência no cargo decorre exclusivamente de aprovação em concurso.
A exposição do irmão de Moraes se estende ainda ao ambiente familiar. Foi no âmbito do contrato firmado pela advogada Viviane Barci com o Banco Master, que a esposa de Leonardo, Ana Claudia Consani de Moraes, elaborou um Código de Ética para a instituição bancária. O documento, porém, teve diversas problemas na elaboração, como trechos incompletos e partes de modelos prontos sem a devida adequação.