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Brasília – O presidente Luiz Inácio Lula da Silva admitiu, nesta quinta-feira (21), durante evento em Aracruz, no Espírito Santo, que decidiu não seguir adiante com o envio de alertas para cerca de 2,5 milhões de celulares cadastrados como roubados ou furtados. A justificativa apresentada pelo mandatário foi evitar prejudicar supostos “compradores honestos” que adquiriram os aparelhos sem saber da origem criminosa.
De acordo com o relato do próprio presidente, a ideia inicial previa o envio de mensagens diretas aos usuários dos aparelhos irregulares, orientando a devolução nas delegacias e alertando que a falta de colaboração poderia resultar em indiciamento. “Eu ia passar uma mensagem, simples assim: ‘você está com o telefone roubado… se você comprou, devolva também, senão você vai ser indiciado’”, disse Lula.
No entanto, o chefe do Executivo optou pelo recuo, argumentando que não deseja “prejudicar a pessoa que inocentemente ou por necessidade comprou”. A declaração reforça a percepção de que o governo federal tem demonstrado hesitação em adotar medidas mais rigorosas no combate ao roubo e ao receptamento de celulares, um dos crimes que mais afetam a população brasileira.
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Críticos veem na decisão uma sinalização de tolerância excessiva com a cadeia criminosa que envolve o furto, o roubo e a revenda de aparelhos no mercado paralelo. Em vez de priorizar a devolução dos bens às vítimas e o endurecimento contra receptadores, o Planalto teria escolhido preservar a situação de quem, muitas vezes, alimenta o comércio ilegal ao adquirir produtos de procedência duvidosa.
O Programa Celular Seguro, lançado em 2023 e com atualizações posteriores, vinha sendo apresentado como uma iniciativa para bloquear linhas, suspender aplicativos bancários e facilitar o rastreamento de aparelhos. A interrupção da etapa de notificações mais assertivas, no entanto, levanta dúvidas sobre a efetividade real da política em um país onde o roubo de celulares se tornou uma epidemia nas grandes cidades.
A fala de Lula gerou imediata repercussão negativa nas redes e entre setores da oposição, que interpretam o recuo como mais um exemplo de leniência do governo petista com a criminalidade. Enquanto vítimas de roubos aguardam medidas concretas de recuperação de seus bens e de redução da violência, o presidente optou por proteger potenciais beneficiários do crime organizado.
Até o momento, o Palácio do Planalto não detalhou quais alternativas serão adotadas para reforçar o combate ao tráfico de celulares roubados.