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Promotor do caso PCC teme ação dos EUA no Brasil contra facções

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A decisão dos Estados Unidos de incluir o PCC e o CV na lista de organizações terroristas gerou preocupação no Ministério Público de São Paulo. Em entrevista ao Portal R7, nesta sexta-feira (29), o promotor de Justiça Lincoln Gakiya afirmou que a medida pode abrir espaço para operações secretas em território brasileiro sem autorização do governo federal.

Integrante do Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado), Gakiya atua há mais de 20 anos no combate ao PCC. Segundo ele, a classificação muda a forma como os EUA tratam o tema, deixando de ser uma questão policial para virar assunto ligado à defesa e inteligência militar.

– Quando há essa classificação, o Departamento de Estado passa a tratar do tema como assunto de “defesa” e não mais como assunto de “polícia”, e, portanto, quem passa a ter responsabilidade sobre isso é a CIA [serviço de inteligência civil dos Estados Unidos] e os militares, saindo da esfera do FBI [Polícia Federal americana] e da DEA [agência responsável pelo combate ao tráfico de drogas], por exemplo – explicou.

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E continuou:

– Pode gerar a possibilidade de realização de operações militares secretas sem a anuência do governo estrangeiro. Por exemplo, uma ação militar em território brasileiro nos moldes das que foram feitas no México e na Venezuela – acrescentou Gakiya.

O promotor também alertou para possíveis impactos financeiros e diplomáticos. De acordo com ele, a nova classificação pode dificultar o compartilhamento de informações entre autoridades brasileiras e americanas no combate ao crime organizado.

Segundo Gakiya, dados que hoje circulam entre Ministério Público, Polícia Federal e autoridades dos EUA podem passar a ser tratados como secretos, reduzindo a cooperação internacional.

Ele também afirmou que bancos, empresas e pessoas que tenham ajudado integrantes das facções podem sofrer punições e perder acesso ao sistema financeiro dos Estados Unidos.

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– O sistema financeiro dos EUA é basicamente interligado ao sistema financeiro mundial – destacou, acrescentando que a medida do governo americano – pode provocar congelamento de bens e ativos de indivíduos não americanos ou de instituições financeiras brasileiras.

Com mais de 30 anos de atuação no Ministério Público de São Paulo, Lincoln Gakiya vive sob escolta por causa das ameaças do PCC. Ele é considerado um dos principais alvos da facção desde 2005.

Em 2018, o promotor foi ameaçado de morte após defender a transferência de integrantes do PCC, entre eles Marcola. Na ocasião, a polícia interceptou cartas com ordens para executá-lo.

Já em outubro do ano passado, uma operação da Polícia Civil e do Ministério Público de São Paulo desarticulou um plano do crime organizado para matar autoridades no interior paulista, incluindo Gakiya e o coordenador de presídios Roberto Medina.

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